Produtividade da indústria cresce 0,9% em 2018, diz CNI

Por Juliano Basile | Valor

BRASÍLIA  –  A produtividade do trabalho na indústria cresceu 0,9% em 2018, na comparação com a média de 2017, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em indicador divulgado nesta quarta-feira (13).

Após crescimento de 4% no terceiro trimestre de 2018 frente ao trimestre anterior, a produtividade voltou a cair no quarto trimestre: -2,0%, após ajuste para os efeitos sazonais.

Apesar do crescimento de 0,9% na comparação entre os valores médios de 2017 e 2018, ao longo do ano, a taxa de crescimento da produtividade mostrou tendência de queda. Tal comportamento é ilustrado pela taxa de variação acumulada em quatro trimestres. A taxa, que foi de 4,3% no primeiro trimestre de 2018, caiu trimestre a trimestre, chegando a 0,9% no quarto trimestre de 2018.

“Esse foi o quarto ano seguido a registrar aumento da produtividade. Ressalta-se, contudo, que o resultado é significativamente inferior aos 4,5% registrados no ano anterior e que os dados trimestrais apresentaram tendência de queda durante 2018”, pondera a CNI.

A produtividade do trabalho é calculada a partir do número de unidades produzidas dividido pelas horas trabalhadas. O aumento do indicador em 2018 reflete o crescimento de 1,1% da produção, ante aumento de 0,2% das horas trabalhadas.

O baixo desempenho da produtividade é explicado pelo crescimento errático e abaixo das expectativas da demanda, o que dificultou o planejamento das empresas, diz a CNI. Os principais determinantes desse comportamento foram a greve dos caminhoneiros e o processo eleitoral.

Recuperação da economia

“No início do ano, as expectativas com a recuperação da economia eram positivas e o empresário industrial mostrava-se cada vez mais confiante. No entanto, a greve dos caminhoneiros gerou perda de mercadorias perecíveis e atrasos na entrega de insumos, o que afetou profundamente a cadeia produtiva, com repercussões durante o restante do ano. Adicionalmente, o processo eleitoral aumentou as incertezas políticas e com relação à condução da economia, afetando negativamente o consumo e, sobretudo, o investimento.”

A frustração das expectativas provocou um processo de “para e anda” na produção e nas horas trabalhadas, o que resultou em comportamento volátil da produtividade ao longo de 2018, diz a CNI.

“As perspectivas para 2019 são positivas. A economia deverá crescer com maior vigor, em especial a indústria. A confiança do empresário voltou a crescer e seus reflexos sobre o investimento deverá se fazer cada vez mais presente. O investimento estimulará o crescimento da produtividade, que deverá aumentar a um ritmo mais acelerado que o de 2018”, conclui a CNI.

(Juliano Basile | Valor)