Segundo trimestre será o melhor da história da CSN, diz Steinbruch

SÃO PAULO  –  Para o presidente executivo e do conselho de administração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, o segundo trimestre deste ano será o melhor da história para a companhia. Segundo ele, o que poderá resultar nesse desempenho, além da retomada da economia brasileira, será a redução de custos e reajustes de preços da tonelada do aço no país.

Outro fator que deve contribuir para a melhora dos resultados da companhia, segundo o executivo, é área de mineração que deve aumentar as vendas e o preço no mercado internacional. “Há espaço para recuperação de preços de 10% neste segundo semestre e vamos implementar esse reajuste. A recuperação da economia vai acontecer e com isso a demanda por aço deve aumentar”, disse Steinbruch, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.

O executivo afirmou, ainda, que o próximo trimestre deverá apresentar melhores preços de minério de ferro nos contratos da companhia. Isso porque nos três primeiros meses do ano, a CSN negociou a tonelada da commodity a US$ 82 e até o final de junho, esse valor deverá chegar mais próximo do negociado atualmente no mercado internacional, se aproximando de US$ 95 a tonelada.

“Para a mineração também vai ser o melhor da história com o crescimento da demanda e os preços que vamos praticar”, afirmou Steinbruch.

No primeiro trimestre, o executivo disse que a queda no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), principalmente da siderurgia, ocorreu pela demanda fraca no Brasil e a alta nos custos de produção.

Segundo ele, um fator que contribuiu para a alta nas despesas foi a baixa produtividade do alto-forno 1 que está em final de vida e tem parada programada para julho e agosto. “Tivemos que formar estoques para essa parada, mas meados de setembro tudo voltará ao normal, com a retomada da operação do alto-forno”, disse Steinbruch.

O executivo disse também que o foco da companhia é melhorar a alavancagem e que o plano é chegar ao final do ano com uma relação de dívida líquida sobre Ebitda de 3 vezes. No primeiro trimestre, essa relação ficou em 4,07 vezes.

“Não esperem ímpeto de vendas de ativos da nossa parte. Vamos conseguir isso com novos contratos de ‘streaming’ (venda antecipada de minério), o contrato com a Glencore e melhora operacional”, disse o executivo.

No primeiro trimestre, a companhia contratou o Citi para estruturar uma operação de streaming no mercado. A intenção era arrecadar US$ 1 bilhão. Além disso, já havia fechado o contrato de longo prazo de minério com a Glencore, envolvendo o pré-pagamento de US$ 500 milhões.

Outra forma de melhorar a performance durante o ano e reduzir a alavancagem, virá, segundo Steinbruch, com a venda dos ativos na Alemanha. “Estamos trabalhando e está perto de uma conclusão. Mas, queremos surpreender o mercado, como fizemos com os ativos nos Estados Unidos, que concluímos a negociação a US$ 500 milhões. Trabalhamos para que se repita na Alemanha. A nossa única questão é o preço”, afirmou o executivo.

(Ana Paula Machado | Valor)