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Diante da gradual melhora dos indicadores macroeconômicos, o setor do varejo prevê retomada das vendas no segmento de bens duráveis até o final do ano. Perspectiva de juros mais baixos e liberação de recursos devem puxar a alta.

“Todos os indicadores estão apresentando melhora de forma geral em relação ao ano passado, sobretudo com a queda na taxa básica de juros em 5,5%. Esse movimento pode impulsionar categorias de bens que até então tinham sofrido muito com a crise econômica e restrição de renda”, argumentou o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze.

Para ele, sem uma melhora progressiva de condições macroeconômicas – como por exemplo emprego, massa salarial, andamento de reformas estruturais e linhas de concessão de crédito mais acessíveis – o setor do varejo não deve assumir protagonismo na retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. “As concessões públicas e investimento em infraestrutura previstas para os próximos anos promoverão a geração de empregos e, com isso, a massa salarial dos brasileiros deve aumentar”, complementou ele.

Na mesma perspectiva, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, ressalta que a liberação de recursos extraordinários – como por exemplo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) – deve injetar R$ 9 bilhões. “Revisamos a estimativa de crescimento do varejo de 4,3% para 5,2% em 2019. A liberação desses recursos coincidem com importantes datas comemorativas para o varejo nacional, como por exemplo Black Friday e também Natal”, declarou Bentes, destacando também que o nível de contratação para o período deve aumentar ainda mais nos próximos meses.

Ainda de acordo com o economista, a queda na taxa básica de juros do País não necessariamente tem refletido uma diminuição nos juros bancários. No entanto, o que se tem observado é um movimento no sentido de estender o número de parcelas, aspecto fundamental para aquecer o consumo de bens duráveis – como por exemplo eletroeletrônicos, eletrodomésticos, automóveis e material de construção. “Com os prazos de pagamento sendo estendidos, o valor das parcelas ficarão mais suaves para o consumidor brasileiro”, comenta. Ele destaca também que as empresas varejistas apresentaram “grandes altas” na bolsa de valores nas últimas semanas.

Na avaliação do COO da consultoria Grupo GS&Gouvêa de Souza, Eduardo Yamashita, o cenário para o setor varejista é mais positivo na comparação com o mesmo período do ano passado, tendo em vista um cenário político e também econômico mais equilibrado. “A previsão é que o setor como um todo apresente maior aceleração nessa reta final de ano, por mais que a base de comparação sobre o desempenho dos segmentos seja ainda muito fraca. Um dos nichos que registraram profunda resiliência nos dois anos de recessão foi justamente o mercado de farmácias e cosméticos de uma forma geral”, argumentou ele.

Para o especialista, o movimento de recuperação deve ser sustentado em grande parte por uma demanda reprimida nos últimos cinco anos por parte dos consumidores. “Observamos que os bens duráveis permaneceram praticamente estagnados neste ano, o que pode promover potencial de retomada de vendas nessa categoria, com a melhora de fatores macroeconômicos”, afirmou Yamashita.

Ainda de acordo com ele, porém, um dos indicadores que precisa apresentar melhora diz respeito à confiança do consumidor – que desempenha papel fundamental para o bom desempenho dos lojistas nas datas comemorativas de final de ano.

Fonte: DCI