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Importação de aço deve desacelerar nos próximos meses, apontam analistas

Por Valor – SP | 07/04/2026 | Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos

Com as decisões recentes do governo de aplicar medidas antidumping sobre o aço vindo da China e da Índia, desde fevereiro, analistas já têm visto sinais de desaceleração na importação.

Segundo o Citi, os dados de fevereiro apontam uma desaceleração nas importações. “Ao mesmo tempo, os custos de frete aumentaram tanto para o aço plano quanto para o aço longo, elevando o custo final do material importado e atuando como uma barreira parcial à penetração das importações”, afirmou o banco em relatório.

“Esse efeito foi parcialmente compensado pelo real ainda relativamente forte. Interpretamos esses movimentos como parcialmente ligados à dinâmica comercial, incluindo as expectativas em torno das medidas antidumping, que já estão influenciando o comportamento dos preços e o momento das importações”, conclui o Citi.

Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos. O dumping é uma forma de concorrência desleal, em que um país exporta produtos a preços mais baixos que os do mercado local e prejudica a produção do país importador. Quando o dumping é comprovado, o governo pode aplicar uma taxa adicional ou definir uma cota de importação.

Para os laminados planos a frio, a cobrança sobre a tonelada vai de US$ 322,93 a US$ 670,02. Aos laminados planos revestidos, de US$ 284,98 a US$ 709,63.

Na visão do UBS BB, as medidas do governo para reduzir a importação de aço têm sido favoráveis: “Temos defendido que os investidores em aço devem dar preferência a regiões protegidas, a fim de limitar a exposição às dinâmicas globais desafiadoras de oferta e demanda e aos fluxos de exportação chineses. Agora, estamos mais confiantes na capacidade do Brasil de defender sua indústria siderúrgica nacional, já que as medidas antidumping recentemente implementadas abrangem atualmente cerca de 40% do total das importações do país, com mais medidas a caminho.”

Para o banco, períodos de aumento do protecionismo estão entre os poucos pontos de inflexão que levam os investidores a adotarem uma postura mais construtiva em relação às ações do setor siderúrgico, como foi o caso nos Estados Unidos, na União Europeia e no México.

A indústria siderúrgica latinoamericana enfrenta um cenário desafiador, segundo a Associação Latinoamericana do Aço (Alacero), marcado por uma desaceleração econômica global e uma crescente pressão externa decorrente do avanço do aço chinês nos mercados, com excesso de capacidade e concentração nas cadeias de abastecimento. “A elevada incerteza internacional, as mudanças nas políticas comerciais das principais economias e as tensões geopolíticas condicionam ainda mais o contexto regional”, afirma a associação em relatório. Para a Alacero, 2026 deve ser um ano crucial para organizar a agenda de defesa comercial e avançar em uma estratégia regional coordenada que fortaleça a competitividade da cadeia de valor do aço na região. “Na Alacero, estamos convencidos de que a América Latina não está condenada a ser apenas fornecedora de matérias-primas: ela tem tudo para ser também o coração industrial de seu próprio desenvolvimento”, disse Ezequiel Tavernelli, diretor-executivo da Alacero, em nota. 

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