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CEO da Aperam defende concorrência justa para fortalecer indústria siderúrgica nacional

Diário do Aço – MG   03/11/2026

Em entrevista à imprensa, o CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, avaliou que o fortalecimento da indústria siderúrgica brasileira depende do combate à concorrência desleal do aço importado e da redução dos custos estruturais que atingem a produção nacional. A avaliação foi apresentada durante encontro com jornalistas do Vale do Aço, promovido nesta sexta-feira (30), nas dependências da empresa, em Timóteo. Neste sábado, 31/10, a empresa completa 82 anos.

Villela destacou que a Aperam tem diversos projetos de investimentos, mas que alguns permanecem paralisados, incluindo iniciativas previstas para a unidade do Vale do Aço, em razão do avanço das importações de aço, principalmente de produtos provenientes da China, situação que tem pressionado a indústria nacional.

De acordo com o executivo, essa concorrência desleal tem elevado as importações de aço a patamares considerados muito altos. Para 2026, a projeção é que sejam importadas 4,9 milhões de toneladas de aço laminado. Isso é mais do que o dobro da média registrada entre 2000 e 2019, explicou.

Villela destacou também que o crescimento das importações atinge diferentes segmentos do setor siderúrgico, incluindo aços carbono, inoxidáveis e especiais. No caso dos aços elétricos, por exemplo, o avanço das importações, tanto do material quanto de produtos acabados, tem feito com que a indústria nacional opere abaixo de sua capacidade instalada, tornando essa situação cada vez mais insustentável, exemplificou.

Para a próxima gestão do governo brasileiro, o representante da empresa espera a continuidade e a ampliação das medidas de proteção ao mercado nacional, incluindo o aumento das tarifas de importação. Não estamos pedindo nada demais. Estamos falando das ações antidumping e de que essa proteção não se limite ao aço importado diretamente, mas que também alcance os produtos finais, como os carros elétricos e outros itens.

Mercado interno

Para o CEO, o mercado interno apresenta grande potencial de expansão. O consumo brasileiro de aço inoxidável é de apenas dois quilos por habitante ao ano, enquanto no México chega a 3,8 quilos, na África do Sul a 4,1 quilos e nos Estados Unidos a 7,1 quilos.

Temos a possibilidade de transformar a demanda doméstica por aço, em especial o inox, em projetos, em inovação e valor industrial. Tudo isso gerado dentro do Brasil, defendeu.

Para permitir que a indústria local converta essa demanda interna em inovação e empregos no Brasil, Villela reforçou a necessidade de combater a concorrência desleal, superar os entraves estruturais e reduzir o Custo Brasil.

A indústria siderúrgica nacional exige condições iguais de concorrência. A indústria brasileira não fica atrás de nenhuma outra em termos de eficiência. Temos tecnologia, mão de obra qualificada e capacidade para crescer, mas precisamos superar os gargalos estruturais e o custo Brasil, como o preço do gás natural, a complexidade tributária e as deficiências de infraestrutura, afirmou.

Produção sustentável

Durante o encontro, o executivo também apresentou os diferenciais da Aperam no mercado internacional, especialmente na produção de aço com baixa emissão de carbono. A unidade de Timóteo possui capacidade para produzir 900 mil toneladas de aço bruto por ano, entre aços inoxidáveis, elétricos e carbono especial.

Um dos principais diferenciais da empresa é a utilização de carvão vegetal renovável, fornecido pela Aperam BioEnergia a partir de florestas cultivadas no Vale do Jequitinhonha. Segundo Villela, essa matriz produtiva evita a emissão de aproximadamente 250 mil toneladas de CO‚ por ano.

Investimento Social

Outro destaque apresentado por Rodrigo Villela foi a atuação da Fundação Aperam Acesita. Em 2025, a instituição investiu R$ 6,8 milhões em projetos de desenvolvimento social e comunitário no Vale do Aço e no Vale do Jequitinhonha.

As iniciativas alcançaram 11 municípios das duas regiões e beneficiaram diretamente mais de 157 mil pessoas, o equivalente a 28% da população das áreas de abrangência operacional da empresa.

Aperam em números

– 900 mil toneladas: capacidade anual de produção de aço bruto.

– Quase 5 mil: funcionários no Brasil.

– 250 mil toneladas: volume anual de CO‚ cuja emissão é evitada com o uso de carvão vegetal renovável.

– 18,6 mil toneladas: finos de minério de ferro reaproveitados entre 2022 e 2025.

– R$ 6,8 milhões: investimentos da Fundação Aperam Acesita em 2025. – 157 mil pessoas: beneficiadas por projetos sociais em 11 municípios do Vale do Aço e do Vale do Jequitinhonha.

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